Sábado fui ao mercado. Primeiro na sessão de frios, comprar salsichas a granel, já que o marido e eu íamos fazer cachorro quente (ele tava com DESEJO de “grávida” de cachorro quente). Enfrentei fila como qualquer ser humano normal, mas quando chegou na minha hora, a moça da sessão sei lá porquê cargas d’água ao invés de me atender, atendeu antes um sujeito que tava ali rondando a fila. Deve ter batido um peso na consciência do cara, porque ele falou: "Mas a mocinha grávida tá na minha frente, atende ela primeiro". Ela ignorou o que ele disse. Quando chegou minha vez, não me contentei só em pedir a salsicha, não, fiz questão de deixar claro que eu tava ali há mais tempo e que, pra completar, tinha preferência no atendimento. Ela ficou bem sem graça e me pediu desculpas.
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Depois, ao passar no caixa para pagar a conta, fui direto ao preferencial. Chegando lá, avisto na fila uma mulher que não era idosa, que não estava gestante, que não era cadeirante e muito menos estava com criança de colo. Passei na frente dela, porque a regra é essa, não é? E não é que a moça ainda gritou pra mim: "Eu tô na fila, viu?". Virei e questionei se ela estava gestante ou tinha algum problema que a impedisse de esperar na fila (vai saber...). A mulher me respondeu: Não, mas eu também tenho direito de usar esse caixa. Olha, diante de certas ignorâncias feito essa o melhor que a gente faz é desistir de argumentar. Passei na frente dela mesmo assim, até porque a moça do caixa me deu a preferência. Oi, querida, você pode sim usar o preferencial, desde que não haja idosos, mães com criança de colo, cadeirantes ou grávidas na fila, tá escrito ali na placa, você foi alfabetizada ou preciso te ensinar?
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Engraçado como a lei existe, está estampada aos quatro cantos da cidade e as pessoas a ignoram, como se ninguém fosse precisar dela um dia (oi, é natural do ser humano engravidar e envelhecer). Não é frescurite de grávida, não, é que às vezes a dor nas costas tá fueda mesmo, sabe? Uma loja que tem uma porcaria de atendimento para gestantes é a C&A (ou CEA, sei lá). Já cheguei a ficar quase meia hora na fila do preferencial, porque as mocinhas do caixa simplesmente me ignoravam e passavam na frente as pessoas da fila normal. Quando eu reclamei, elas só pediram para eu aguardar (mais). Lembro que nesse dia só fui atendida porque uma senhora que tava na fila dos “normais” pediu para eu passar na frente dela (gente consciente também existe, que bom!). Já nas Americanas não tive problema algum, mas atendimento bom mesmo eu tive na Marisa, onde os caixas já te chamam antes mesmo de você se posicionar na fila (Moooça, pode aguardar aqui que você já vai ser atendida!). A impressão que dá é que eles procuram cumprir a lei para não ter esse tipo de stress desnecessário nas lojas, e é assim que deve ser. Vi isso acontecer na Marisa em lojas e dias diferentes, o que prova que o treinamento dos funcionários nessa rede de lojas é melhor do que o da C&A.
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Enfim, todo mundo sabe que gente picareta, que procura levar vantagem em cima de qualquer situação, existe aos montes por aí. Também há os que preferem ignorar essas pequenas injustiças do dia-a-dia, pra não se estressar, eu mesma faço isso de vez em quando. Mas tem coisa que não dá pra deixar pra lá, antes mesmo de ficar grávida eu achava revoltante ver marmanjo(a) que goza de perfeito estado de saúde passar na frente de velhinho quase capenga na fila do banco, do supermercado, das lojas, e até mesmo roubando os assentos destinados a eles nos ônibus. Minha mania de consciência já contaminou até meu marido, que antes não se tocava direito dessas injustiças que passam despercebidas aos olhos de todo mundo, simplesmente porque elas acontecem tanto que as pessoas já se acostumaram com isso. Não, não tem que se acostumar, não tem que achar normal, tem que reivindicar, dar piti se for preciso (porque parece que só assim alguém te ouve...). Porque se a pessoa que for mais atingida por esse tipo de injustiça não se importar, não são os outros que vão se importar por ela.
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