segunda-feira, 28 de junho de 2010

Direitos da gestante?

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Sábado fui ao mercado. Primeiro na sessão de frios, comprar salsichas a granel, já que o marido e eu íamos fazer cachorro quente (ele tava com DESEJO de “grávida” de cachorro quente). Enfrentei fila como qualquer ser humano normal, mas quando chegou na minha hora, a moça da sessão sei lá porquê cargas d’água ao invés de me atender, atendeu antes um sujeito que tava ali rondando a fila. Deve ter batido um peso na consciência do cara, porque ele falou: "Mas a mocinha grávida tá na minha frente, atende ela primeiro". Ela ignorou o que ele disse. Quando chegou minha vez, não me contentei só em pedir a salsicha, não, fiz questão de deixar claro que eu tava ali há mais tempo e que, pra completar, tinha preferência no atendimento. Ela ficou bem sem graça e me pediu desculpas.
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Depois, ao passar no caixa para pagar a conta, fui direto ao preferencial. Chegando lá, avisto na fila uma mulher que não era idosa, que não estava gestante, que não era cadeirante e muito menos estava com criança de colo. Passei na frente dela, porque a regra é essa, não é? E não é que a moça ainda gritou pra mim: "Eu tô na fila, viu?". Virei e questionei se ela estava gestante ou tinha algum problema que a impedisse de esperar na fila (vai saber...). A mulher me respondeu: Não, mas eu também tenho direito de usar esse caixa. Olha, diante de certas ignorâncias feito essa o melhor que a gente faz é desistir de argumentar. Passei na frente dela mesmo assim, até porque a moça do caixa me deu a preferência. Oi, querida, você pode sim usar o preferencial, desde que não haja idosos, mães com criança de colo, cadeirantes ou grávidas na fila, tá escrito ali na placa, você foi alfabetizada ou preciso te ensinar?
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Engraçado como a lei existe, está estampada aos quatro cantos da cidade e as pessoas a ignoram, como se ninguém fosse precisar dela um dia (oi, é natural do ser humano engravidar e envelhecer). Não é frescurite de grávida, não, é que às vezes a dor nas costas tá fueda mesmo, sabe? Uma loja que tem uma porcaria de atendimento para gestantes é a C&A (ou CEA, sei lá). Já cheguei a ficar quase meia hora na fila do preferencial, porque as mocinhas do caixa simplesmente me ignoravam e passavam na frente as pessoas da fila normal. Quando eu reclamei, elas só pediram para eu aguardar (mais). Lembro que nesse dia só fui atendida porque uma senhora que tava na fila dos “normais” pediu para eu passar na frente dela (gente consciente também existe, que bom!). Já nas Americanas não tive problema algum, mas atendimento bom mesmo eu tive na Marisa, onde os caixas já te chamam antes mesmo de você se posicionar na fila (Moooça, pode aguardar aqui que você já vai ser atendida!). A impressão que dá é que eles procuram cumprir a lei para não ter esse tipo de stress desnecessário nas lojas, e é assim que deve ser. Vi isso acontecer na Marisa em lojas e dias diferentes, o que prova que o treinamento dos funcionários nessa rede de lojas é melhor do que o da C&A.
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Enfim, todo mundo sabe que gente picareta, que procura levar vantagem em cima de qualquer situação, existe aos montes por aí. Também há os que preferem ignorar essas pequenas injustiças do dia-a-dia, pra não se estressar, eu mesma faço isso de vez em quando. Mas tem coisa que não dá pra deixar pra lá, antes mesmo de ficar grávida eu achava revoltante ver marmanjo(a) que goza de perfeito estado de saúde passar na frente de velhinho quase capenga na fila do banco, do supermercado, das lojas, e até mesmo roubando os assentos destinados a eles nos ônibus. Minha mania de consciência já contaminou até meu marido, que antes não se tocava direito dessas injustiças que passam despercebidas aos olhos de todo mundo, simplesmente porque elas acontecem tanto que as pessoas já se acostumaram com isso. Não, não tem que se acostumar, não tem que achar normal, tem que reivindicar, dar piti se for preciso (porque parece que só assim alguém te ouve...). Porque se a pessoa que for mais atingida por esse tipo de injustiça não se importar, não são os outros que vão se importar por ela.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Da inutilidade do pagão

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Percebi que o que a gente ouve de conselhos durante a gestação dá pra um livro. É realmente um bombardeio, de todos os lados. Helena ainda nem nasceu e eu já aprendi a usar meus próprios instintos e bom senso para filtrar toda essa informação, o que serve e o que não serve pra nós duas. O importante é NUNCA discutir com uma pessoa cuja opinião seja diferente da sua, ainda que a opinião dela te pareça muito equivocada. Não brigue e tampouco tente convencê-la do contrário. Guarde isso para você e ponto, acabou.
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Mas percebi algo. Entre tantas coisas que fazem essa mulherada de meudeus quase se estapear pra ver quem tem razão - se algodão é melhor que lenço umedecido, se a pomada deve ser Hipoglós com ou sem amêndoas, se colo vicia, se sling é melhor que carrinho, se parto normal é mais humano que a cesárea e blábláblá - notei que todas (eu disse TODAS, desde as experts até as mães mais sem experiência) concordam numa coisa: sobre a inutilidade do pagão.
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Alguém aí ainda acha que meu instinto/bom senso vai se atrever a questionar isso?

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Não aguento mais mesmo

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Ir para a faculdade em pleno oitavo mês. Não se trata de não gostar do curso ou coisa parecida – eu adoro, mas ando MUITO cansada e é horrível estar com oito meses e ter que me locomover pra USP todos os dias depois de trabalhar o dia todo (são 52 km diários de ida e volta). Soube que algumas faculdades particulares concedem licença maternidade a partir das 32 semanas de gestação, e fiquei com inveja disso. Caramba, que diferença faria na minha vida poder ficar em casa todas as noites, descansando, organizando coisas, tentando dormir cedo (ainda que eu nunca consiga isso).
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Tudo é motivo pra me deixar irritada: os colegas dos grupos que querem ficar se encontrando no final de semana para fazer reuniões de trabalhos (eles não devem ter nada para fazer da vida, só vejo essa explicação). As escadas pra subir e descer. Os banheiros – cada semana é um que tá em manutenção. Os bebedouros sempre SECOS – ali a água vale ouro, se você não tiver uns reais na carteira pra comprar uma garrafa, tem que ficar na seca mesmo. Ter que ficar sentada duas horas numa cadeira dura – minhas costas ficam um caco! A voz da minha professora de espanhol, que me enjoa. Dizem que grávidas enjoam de cheiros ou dos maridos, mas o que me enjoou mesmo foi a voz da minha professora de espanhol – é tão chatinha e feia a voz dela.
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Enfim, é isso. Imaginei que seria mais fácil aguentar a rotina trabalho-faculdade-carregando-o-barrigão, mas não. Foi até o sexto mês, no sétimo passou a se tornar cansativo e agora é um martírio, minha-via-sacra-de-todo-dia. Tô pedindo arrego mesmo, mas o semestre parece se arrastar lentamente.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Contagem regressiva

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Na última terça-feira completei 30 semanas. Li em algum lugar que chegar a esse dia é meio mágico. E é mesmo. 30 semanas já se foram, faltam 10 para o parto, muito pouco em vista do tanto que já se foi... É a reta final.
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E que alívio chegar a essa idade gestacional com o enxoval comprado! Helena e eu fomos às compras no último sábado com minha mãe e uma amiga de infância, a Juliana, que tem sido minha consultora na gestação. Ela tem me ajudado bastante. Minha mãe também me ajuda muito, mas a última vez que ela esteve grávida foi há mais de vinte anos e muita coisa mudou de lá pra cá, então é bom ter a ajuda de uma ex-grávida recente (a Ju tem uma filha de dois anos)!
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Mas agora a Helena já não é mais uma sem nada, e só falta complementar o enxoval com algumas coisinhas como algodão, pomadas, produtos de higiene e fraldas. Além disso, tem curso para gestantes, sair pra comprar meus pijamas para a maternidade, lavar e passar as minúsculas roupinhas dela, chá de bebê, aprontar nossas malas, arrumar o canto dela, enfim, fazer o ninho pra esperar ela chegar.
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Agora, vamos aos sintomas característicos desta fase:
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Colostro: ainda não saiu espontaneamente. E não, não vou apertar os bicos pra ver se sai leite, como essa mulherada desinformada e sem noção que há por aí. Isso libera ocitocina, hormônio que estimula as contrações uterinas e acelera o trabalho de parto.
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Aumento dos seios: um pouco, não tanto quanto no começo da gravidez.
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Desequilíbrio: sim! Agora já não consigo mais secar os pés após o banho sem estar sentada ou apoiada em algum lugar.
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Contrações de Braxton Hicks ou contrações de treinamento: sim! Às vezes noto minha barriga beeeem dura, mas dor mesmo ainda não senti, não. Li que às 30 semanas é normal ter até 8 contrações por hora!
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Dificuldade no sono: não! Quando deito na cama é pá-pum, durmo tão rápido que nem dá tempo de pensar em alguma coisa, de tão corrida e cansativa que anda a vida.
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Falta de ar: MUITA! Depois das refeições e quando tenho que falar muito ou em voz alta. Esses dias fiz uma péssima apresentação de seminário na faculdade porque me faltou o ar. Agora em junho vai ter outro para apresentar e suo frio só de pensar! Mas o marido disse que vai me emprestar um amplificador e um microfone para eu não precisar levantar a voz.
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Umbigo protuberante: não, mas ele está diferente.
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Coceiras na barriga: sim.
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Varizes nas pernas: não.
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Edema (inchaço): não. Até que tive sorte neste quesito, só inchei mesmo no calor, mas isso acontecia também quando eu não estava grávida.
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Dores nas costas: MUITA [2]! Nunca senti tanta dor nas costas, às vezes pareço uma velha entrevada por causa disso.
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Sangramento nasal e das gengivas: nasal sim, das gengivas não (na verdade, só quando uso fio dental).
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Congestão nasal: bastante.
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Dor de cabeça, desmaio e tontura: não, só um pouco de dor de cabeça e bem de vez em quando mesmo.
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Prisão de ventre: não, e acho que é porque eu como muita fibra.
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Azia, flatulência, distensão abdominal: nossa! Alguns alimentos me dão azia só de olhar.
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Dolorimento no baixo ventre e nas laterais: quando faço muito esforço físico sim.
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Intensificação da leucorréia: sim, e é bem incômodo isso.
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Atividade fetal mais vigorosa e mais frequente: comecei a sentir a Helena mexer na semana 17, mas desde a semana 27 as mexidinhas viraram mexidonas! Acho que sentir o bebê é uma das melhores coisas da gravidez, uma das melhores sensações da vida... Só sentindo mesmo pra saber.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Visita à maternidade

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Sábado fui com o marido visitar a primeira maternidade das que meu GO indicou para a Helena florescer no mundo! Bem, eu digo primeira como se ainda houvesse mais visitas por vir... Porque não, não virão.
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Na verdade meu convênio cobre o parto em três das quatro maternidades onde meu GO atende, mas eu conheço meu marido o bastante para saber que ele não vai querer me acompanhar nas outras visitas. Primeiro porque a que visitamos no sábado foi indicada pelo Dr. Lincon como a mais bem estruturada entre as que ele atende, e segundo porque meu marido “já gostou tanto da primeira que não vê motivo para perdermos tempo visitando outras”. Homens!
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Claro que se eu quisesse mesmo, convenceria ele a visitar as outras comigo, mas como ultimamente eu estou um bagação de tão cansada, sem tempo nem para fazer as unhas (estão horríveis, pode acreditar), deixei pra lá. Pra quê arrumar mais coisas pra minha cabeça já tão abarrotada de coisas? Ficaremos com esta mesmo. E, depois, pelos sites que visitei de outras maternidades, essas mais famosas são quase todas iguais. O que uma tem, todas as outras têm também, até mesmo as Labor Delivery Room (salas para o tão na moda parto natural ou parto sem intervenções médicas).
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E tudo o que eu posso dizer da visita, ao ouvir todas aquelas orientações da consultora que nos atendeu, ao ver todos aqueles bebês tão fofos aguardando o primeiro banho no berçário, e todo aquele clima de felicidade dos parentes que aguardavam as recém-mamães com seus bebês tão fofos no saguão, e todos aqueles sorrisos das pessoas que me perguntavam “É pra quando?”, é que tudo isso fez eu me tocar que um bebê igualmente fofo vai sair de dentro de mim! E eu mal posso esperar para que isso aconteça.
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Mas pra isso a bichinha precisa crescer e engordar. Enquanto isso tem curso para gestantes (ou "curso de bebês", como diz o marido), e muita correria para deixar tudo pronto para a chegada dela. Só preciso mesmo conter a ansiedade e exercitar a paciência, pois nessas 29 semanas descobri que não é à toa que dizem “esperando neném”.