quinta-feira, 29 de abril de 2010

24 semanas e 2 dias

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A esta altura da gravidez, sinto que muito tempo se passou. No fórum de troca de experiências do qual participo, quando vejo alguma "novata" contar a emoção que sentiu no primeiro ultrassom, já sou capaz de lembrar dessa época em que tudo era novo com imensa saudade: a sensação estranha ao ler "positivo" no resultado do exame, o medo de contar pro namorado, e depois o susto que tive ao vê-lo feliz com a notícia. Mas, de tudo, o melhor foi ouvir o coração do nenê (na época um grãozinho de feijão) bater pela primeira vez.
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Só que depois caio na real e vejo que ainda falta um bocado pela frente. Muita barriga, muitos exames, muitas dúvidas, medos e, sobretudo, MUITA coisa pra fazer e resolver até a Helena decidir nascer. Quando ela estiver prestes a chegar, quero ter a sensação de tranquilidade por não ter deixado nada pendente. Tranquilidade na medida do possível, claro, porque imagino que deve ser quase impossível ansiar pelo trabalho de parto e permanecer calma ao mesmo tempo. Mas o que quero dizer é que pretendo deixar tudo pronto para a chegada dela, para que na reta final eu possa me dar ao luxo de botar os pernões (inchados) pra cima, literalmente!
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Falando em fim, tenho pensado muito sobre as coisas que quero fazer depois que a filhota nascer. Coisas bobas, mas que me dão muitas saudades. São elas: dormir de bruços (parei no terceiro mês), enxergar minha virilha e coxas sem ser de frente para o espelho, comer temaki (grávida não pode comer nada cru, por causa do risco de toxoplasmose)... Mas uma delas supera todas essas vontades: ter meus jeans de volta. Vou sim sentir falta do barrigão, de colocar a mão em cima dele e sentir a Helena mexer, mas o mesmo não posso dizer das roupas que eu tenho que usar por causa dele. Sério, não vou querer saber de usar batas ou leggings por um bom tempo. É tanto repúdio que não vou querer nem ver essas peças nos cabides, e prometo cerrar todas essas "roupas maternidade" numa caixa com muita fita adesiva e nenhuma saudade.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Morfológico do segundo trimestre

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Sábado fiz o segundo ultrassom morfológico, um exame muito importante na gravidez, que serve para conferir más formações e problemas com o feto (alguns destes problemas podem ser corrigidos ainda dentro do útero). Com a Helena está tudo ótimo, ainda bem! Placenta, líquido amniótico e cordão umbilical idem.
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A emoção da vez foi poder ver o rostinho dela no monitor. Como minha ultra não foi 3D, a tarefa requer certas técnicas de contorcionismo de quem assiste o vídeo, como entortar o pescoço para o lado direito, por exemplo, além de uma boa dose de paciência para detectar testa, olhos, nariz e boca.
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Mesmo assim valeu muito a pena. É muito legal tentar se enxergar naquele serzinho que carrega parte do seu DNA. Minha mãe insiste que a testa é minha e o nariz é do pai. Já o namorado prefere acreditar que o nariz é meu (porque acha o meu mais bonito que o dele), enquanto eu prefiro acreditar que a testa é dele (porque é mais bonita que a minha). Já a boca (que foi a parte que deu pra ver melhor) ninguém soube dizer de quem é. Mas qualquer discussão sobre essas coisas é mesmo inútil, porque tudo isso a gente descobre daqui a 17 (longas) semanas.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Não se meta com uma grávida

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É o velho clichê: sim, a gravidez é um momento único na vida de uma mulher (pelo menos das que ficam felizes com a ideia de ter um filho). Mas por quê será que ficamos tão irritadas nesta fase? Muitas pessoas colocam a culpa nas altas taxas de hormônio que circulam no nosso corpo durante a gestação, mas sempre achei desculpa esfarrapada a dessas mulheres que acordam de mau-humor, com raiva do mundo e colocam a culpa na TPM para aliviar suas consciências-pós-xilique. Acredito sim que nós ficamos um pouco mais sensíveis, inchadas e doloridas pela ação hormonal, porém, tenho minhas dúvidas se a TPM realmente existe nessa proporção exagerada que a pintam ou se é um pouco psicossomática.
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O fato é que no começo da gestação, minha irritação se limitava às pessoas próximas (namorado, mãe, pai, irmãs, cachorro...). Só que aos poucos minha bronca foi expandido seus limites e o que (também) passou a me deixar meio irritada foram os muitos palpites que a gente ouve na gravidez. Coisas como o que fazer com seu filho, o que não fazer, alguma ou outra alfinetada porque julgam que a gente tá se precipitando com alguma coisa... Eu gosto muito de ouvir os conselhos das minhas amigas ex-grávidas (me sinto uma privilegiada por ter tantas para me ajudar com as dúvidas), mas quando a dica vem de alguém com quem não tenho muita intimidade, fico absurdamente irritada. Mas esse tipo de coisa aprendi a deixar que entre por um ouvido e saia pelo outro.
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Depois, o que passou a me irritar foi o trânsito de São Paulo. E não estou falando daquele “nervosinho básico” que todo paulistano diz sentir todos os dias, não. Comecei a sentir uma raiva tremenda de ficar horas presa em engarrafamentos para conseguir chegar a um lugar, dos motoristas folgados, dos motoqueiros... Hum, os motoqueiros. Um dia aí, até cheguei a xingar um deles de “seu cavalo-espírito-de-porco”, só porque ele bateu no meu retrovisor. Fui inconsequente, eu sei, mas na hora nem pensei nisso. Falei com tanta veemência que o cara até virou o pescoço pra ver quem era a dona da voz de tão brutas palavras! E ele ainda me pediu desculpas.
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Depois do trânsito, foi a faculdade. A superlotação daquela faculdade (a FFLCH é a maior unidade da USP em termos de espaço físico, cursos oferecidos e número de professores, graduandos, mestrandos e doutorandos). O estacionamento sempre lotado daquela faculdade. Os bebedouros daquela faculdade, que nunca tem água. E até os banheiros da faculdade, pois dois deles estão em reforma, o que nos obriga a dar uma volta imensa. Mas a gota d’água foi um dia em que cheguei atrasada para a aula de Literatura Brasileira III (por causa do trânsito, claro). E a FFLCH tem sérios problemas de carteiras, é comum a gente chegar em algumas salas de aula e não ter cadeiras disponíveis, adivinhem por qual motivo? Superlotação. E justo nesse dia a sala estava lotada, acho que não cabia mais um fio de cabelo ali dentro.
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Cheguei, dei uma boa olhada, e não encontrei um lugar. Muitos ficaram me olhando. Achei péssimo ter que procurar cadeira no corredor e saí da sala. Foi quando me veio uma pergunta à cabeça: Poxa, mas será que nenhum marmanjo folgado se tocou que estou barriguda, esbaforida, com os pés inchados (naquele dia fazia um calor infernal) e cheia de livros nos braços? Será que ninguém poderia ter o bom senso de me ceder o lugar? Nesse dia fiquei tão indignada que até tive uma crise de choro no banheiro (mulherices!). Depois lavei o rosto e melhorei, mas aquilo realmente me indignou, já que o discurso entre os alunos da FFLCH é o da "consciência, da solidariedade entre as pessoas e a luta pelos direitos das minorias". Enfim, naquele dia confirmei o que sempre “suspeitei”: toda essa consciência não passa de papinho furado. Hoje me parece que quanto maior o grau de instrução de uma pessoa, mais alienada pros problemas reais do dia-a-dia ela se torna. Tanta letra não pode dar inteligência, sensibilidade e bom senso pra ninguém.
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Mas agora estou aqui, calma, lúcida e escrevendo este texto. Ainda tento entender se isso é mesmo “raiva gestacional” ou é da idade, pois dizem que com o passar dos anos nos tornamos mais cri-cris. Será este mais um mito do povo? Não sei... O fato é que a gravidez aumentou o poder da minha ira em uns 1000%, e é melhor que ninguém duvide disto.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Rapidinhas

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* Toda vez que eu ouço uma música que a Maria Bethânia canta com a Omara Portuondo, a Helena me chuta. É a música começar que vem um chutinho. Resta saber se isso acontece porque ela gosta ou detesta a cabeluda.
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* Hoje entrevistei uma garota aqui na empresa. Preciso treiná-la para tomar conta da parte burocrática do meu trabalho enquanto eu estiver fora. Aí a menina me pergunta o seguinte: "Mas vai dar tempo de me treinar, porque você já está pra ganhar, né?". E olha que até agosto ainda tem muita barriga pela frente.

domingo, 4 de abril de 2010

É a Helena quem manda

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Uma amiga ex-grávida (ela tem dois filhotes, a Bárbara, de 6 anos e o Samuel, de 8 meses) sempre me falava dos "ovinhos" que os pequenos faziam dentro das barrigas. Agora ficou claro que a minha também tem seu lado favorito, porque ficou comum eu acordar pela manhã com um bolinho bem alto do lado direito da barriga. Acho que a Helena se aninha ali nessas horas. Meu namorado, quando viu esse "ovinho" pela primeira vez, ficou todo abobalhado, porque este foi o primeiro sinal evidente de que havia um bebê crescendo e se movimentando aqui dentro.
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E agora, o que eram apenas estalinhos, viraram chutes e pontapés mesmo, uma pancadaria só dentro da minha barriga! Quando eu não estou numa posição boa pra ela, por exemplo, a pequena já protesta com MUITOS chutes, como se dissesse: "Ei, assim não tá legal, ficou apertado aqui para mim!". Então só me resta mudar de posição pra ela se ajeitar melhor, porque como diz o namorado, a dona do barrigão é a Helena!