domingo, 24 de outubro de 2010

2 meses depois...

Quando penso nestes últimos dois meses, parece que vários nenéns diferentes já passaram pelos meus braços. Como mudam rápido os bebês! No momento em que a gente pensa que começou a entender o próprio filho, ele simplesmente muda todos os seus padrões de comportamento. Para quem gosta de novidade todo dia, nada como ter um recém nascido em casa.
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Por outro lado, sinto como se tivesse recebido o melhor presente da vida. Não apenas porque ela nasceu um dia depois do meu, mas por todos os predicados que ela possui e que me fazem derreter toda.
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Pra começar, Helena é a coisa mais linda que já vi. O cabelinho (muito, como o meu) parece que foi tingido com petróleo. Os olhinhos são rasgados, e é difícil saber se nisso ela puxou a mim ou ao pai... Esperta também, encara tudo atentamente; é tão comovente saber que coisas banais para nós, que já estamos com os olhos (mal) acostumados pela vida, são novidades tentadoras para ela... Tem o riso fácil (ela ri o tempo todo), e chora muito pouco: basicamente nas trocas de fraldas (às vezes), no banho e quando acorda com fome - o normal de qualquer bebê. Fora isso é um anjo, de verdade. Quando ouço alguém dizer que tem um bebê chorão em casa, me sinto uma privilegiada.
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Também é independente, não precisa de colo pra ficar bem, o que é ótimo, pois quando está acordada posso deixá-la brincando sozinha numa boa para fazer outras coisas. Ah, e tagarela demais! Acho que vai falar a primeira palavrinha cedo esta moça.
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De tudo que falam a respeito da maternidade, algumas coisas são verdade, e outras a gente descarta porque na prática, vê que a teoria é outra... Mas uma coisa é certa: a vida fica muito real depois dos filhos. Entre descobertas, cuidados, crises de choro, mimos, gracinhas e noites mal dormidas, há muita realidade envolvida. Adeus mundo das ilusões. A vida fica concreta, as preocupações agora parecem ter consistência. O tempo é escasso e eu me pergunto o que fazia com ele quando era solteira e não tinha a Helena. Porque quando a gente é solteiro e sem filhos, a gente tem tempo sim, é só saber administrar. Ainda que você seja super comprometido com o trabalho, trabalho é trabalho: tem hora pra começar e hora pra terminar. Mãe não. Mãe é mãe durante as 24 horas do dia. Não há férias ou finais de semana. Depois do casamento e dos filhos, tempo para si mesma vira coisa preciosa, e não podemos ficar à toa. Aí a gente passa a repetir o que ouvia da mãe na infância, lugares comuns como "Eu não sou dez!".
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Enfim, queria ter escrito mais coisas; depois que ela nasceu eu disse que relataria o parto, mas mudei de ideia (ainda bem). E é isso. A maternidade (e o casamento também) abriram um abismo enorme entre o que eu era e o que sou agora. E o que tenho a dizer sobre isso é que a vida ficou muito, muito melhor assim.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Nasceu

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Quando escrevi o último post, Helena já estava dando sinais de querer nascer há mais de 24 horas. Um dia depois ela veio, na DPP cravada, 40 semanas certinho. Foi um bebê pontual. Foi meu melhor presente de aniversário.
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Ainda não voltei a dormir de bruços (os peitos ficam gigantescos e doloridos de leite), também não posso comer um temaki, ainda não voltei a usar meus jeans, e hoje ouvi do pediatra que essa história de mamar de 3 em 3 horas é meio balela ("Se você deixar, ela passa o dia todo pendurada no seu peito"), mas a maternidade é uma experiência maravilhosa. É muito estranha a vida sem filhos.
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Enfim, por hoje é só. Quando ela deixar, volto aqui para relatar o parto.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Enfim 30

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Juro que a coisa da qual eu menos lembrei este ano, ao pensar nesta data, foi do meu aniversário (por motivos óbvios, né?). Tem coisa muito mais significativa para pensar. Mas claro que fazer trinta anos também é um marco importante. Ainda mais quando eu penso que junto com os trinta virá a experiência da maternidade.
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Há um mês meu marido também completou seus trinta anos. Estivemos nas barrigas das nossas mães na mesma época... Assim como eu, ele é um marinheiro de primeira viagem na tarefa de criar um ser humano. Estamos muito ansiosos. Nossas famílias idem, porque para eles é o primeiro neto. E hoje foi impossível não lembrarmos do meu aniversário do ano passado, quando ainda éramos namorados.
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Lembramos de muita coisa. Ele lembrou inclusive que eu usava um vestido verde há um ano. E eu fui mais além. Lembrei de como a vida me trouxe até aqui... Tentei me transportar para o passado, e me perguntei: “E se naquele dia, que eu usava um vestido verde, alguém tivesse previsto que dali um ano eu estaria como estou hoje?”. Eu não acreditaria. De jeito nenhum eu acreditaria, e até esqueceria a previsão.
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Mas cá estamos e hoje vejo que o destino não podia ter sido diferente. Pois todos os caminhos nos trouxeram até aqui. O irônico é que este será um ano sem nenhuma festinha entre amigos, mas de grandes comemorações. Hoje é o melhor aniversário da minha vida, o mais significativo, aquele que será lembrado pro resto da vida, porque ela está aqui, ainda “decidindo” a melhor hora para nascer... E a vida faz muito mais sentido assim.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Resumão

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Faculdade trancada, assinei um termo que me obriga a voltar daqui há dois anos, ou justificar o afastamento por mais um ano, totalizando três anos com a matrícula trancada, sendo dois anos sem justificativa (quer dizer, mais ou menos, porque tive que explicar que vou me afastar pra cuidar da cria), e um ano com justificativa perante a comissão de graduação, sob risco de jubilar (ou seja, perder a vaga)... É acho que era mais ou menos isso. Trocando em miúdos, era um troço mui comprometedor! Mas que alívio que deu. Uma coisa a menos pra esquentar a cabeça. Helena nem nasceu e já teve o poder de mudar minha vida todinha: desde que soube da existência dela, nunca mais quis deixar coisas a resolver. Por ela I walk the line, como diria Jhonny Cash. Ela é meu amor, ela e o pai dela, minha "familinha".
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Já falei aqui que muita gente sempre me disse para esperar o pior no final da gravidez: muita ansiedade, muitas dores, muita falta de ar... Bem, a ansiedade eu diria que é impossível não sentir. Quanto aos desconfortos, parece que todos aliviaram um pouco. Minha falta de ar diminuiu muito (talvez meu diafragma não esteja mais tão comprimido aqui dentro). A azia idem. As dores na lombar já nem sinto mais, talvez eu tenha me acostumado com a projeção da barriga pra frente. A única coisa que não foi embora foi o temperamento irritadiço. Ando muito sem paciência. Quando meu médico soube que eu ainda estava trabalhando, fez cara de quem não concorda muito (mas deixou a meu critério decidir isso, já que me sinto bem trabalhando). Explicou que a sobrecarga na gravidez é também psicológica, que a pressão do cotidiano não deixa a grávida ficar zen pro trabalho de parto. Ele usou essa palavra: zen. A propósito: ele também toma banchá naquelas xícaras japonesas sem asa, acho chique.
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Bem, eu não diria nem que é a “pressão do cotidiano”, mas sim a pressão que a gente coloca sobre si mesma, de tentar alcançar uma perfeição que não existe. Minha mãe usou a seguinte metáfora: “Você não quer que pobre tenha defeito, aí já é demais, né?”. Pode ser. Eu vou procurar relaxar agora. Chega de correria. É mais ou menos como estudante que chega às vésperas do vestibular: o que ele não conseguiu estudar durante o ano, não vai conseguir estudar em cima da hora. E o que tinha que ser feito já foi.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Nem o tempo dos bebês...

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... o povo respeita mais. Se tem coisa que me faz doer os ouvidos é quando me perguntam "Nossa, por quê você não MARCA o dia?" e outras abobrinhas. Dá vontade de responder: "E você, por quê não cala a boca?".
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Helena deve ouvir essas coisas daqui de dentro e ficar agoniada pelo que a aguarda, tadinha.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Baixou a Amélia

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Dizem que as grávidas, pouco antes do nascimento das suas crias, são acometidas pela "crise da Amélia" e saem limpando e arrumando tudo para a chegada do bebê em casa - que deve estar linda, aconchegando e cheirosa, com tudo em seu devido lugar! Esses dias revi "Melhor Impossível", com o Jack Nicholson, e percebi que estão tão obcecada quanto a isso quanto ele com seus tiques.
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Nada para mim parece bom aqui em casa ultimamente. Enxergo sujeira até onde ela não é visível, e ando doidinha para me livrar de umas tralhas do meu marido. Já falei com ele milhares de vezes, e ele concorda que elas devem mesmo ir embora, mas cadê a disposição para tirar um dia inteirinho para fazer isso comigo? Como é ruim depender dos outros, e eu preciso da sua ajuda para saber o que é útil pra ele e o que não é. Mas o bom é que já limpei toda a coleção de CD's dele e os meus também. E, olha, não duvidem que este foi um ato de heroísmo, porque ATÉ ONDE EU CONSEGUI CONTAR, chegou a quase 400 CD's. Ok, isso é normal para um músico, mas não para mim, que gastei três noites (e quase um vidro de lustra móveis) na tarefa. Isso sem falar nos vinis, meus e dele, que juntando tudo, dá uma boa pilha de ácaros. E falta organizar meus livros na estante, que AINDA estão encaixotados - mas quando eles finalmente forem para a estante, estas caixas vão desocupar um espaço e tanto no "quartinho da bagunça". Eu vejo tudo isso, e concluo que se nós dois continuarmos a expandir nossas coleções, vamos ter que armar uma cabaninha no quintal e morarmos ali, porque assim não dá.
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Além disso, a chata da vizinha da esquerda ouve música alta toda noite. Engraçado que esses dias ela cismou com o som do piano do meu marido, e começou a dar vassouradas na parede (que é geminada). Achamos que ela tinha uma certa razão e mudamos o piano de lugar, mas não é que ela continua a ouvir música alta à noite? Todos aqui na rua reclamam do som alto (e outras estripulias) da mulher, mas ninguém fala nada, porque ela se faz de sonsa, então a gente acaba deixando pra lá. Mas quando a Helena nascer e precisar de sossego pra dormir em paz, ela que se cuide.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Esperando neném

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Perguntei ao GO qual a sua opinião sobre atividades que estimulam o trabalho de parto e, como esperado, ele foi pelo caminho do meio. Disse que pode ser que sim, e pode ser que não que atividades como agachamento, caminhadas e etc., ajudem na dilatação. Que alguns médicos acreditam que sim e outros acreditam que não. Que em algumas mulheres pode funcionar e em outras não - tudo depende do cólo do útero estar duro ou macio. Ele sempre vai pelo que eu chamo de "caminho do meio". Mas confirmou categórico aquela minha tese de que o peso da cabeça do neném ajuda a dilatar o cólo - eu sou a rainha das teses: muitas furadas, e umas poucas com algum sentido, hehehe.
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De qualquer modo, agora vamos ver se é verdadeira aquela história dos três HOT - hot food, hot bath, hot sex.