sexta-feira, 16 de julho de 2010

A grávida CDF, o futuro e outras divagações

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Eu acho que fui uma delas. Procurei fazer tudo certo, mesmo quando alguns me disseram pra “deixar de frescura”. Algumas pessoas são sem noção, e sempre tem um pra te dizer que “pular de pára-quedas não faz mal nenhum durante a gravidez, imagina”. Oi, fique com sua opinião e quando estiver grávida, experimente você mesma fazer isso para tirar suas conclusões, ok? - é isso que dá vontade de responder, mas não vale a pena. No curso de gestantes, a nutricionista disse que pessoas para dar conselhos errados a gente sempre encontra, e eu sou da mesma opinião. Por isso sempre procuro ouvir a voz interior do velho bom senso (este nunca falha!).
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Eu pesquisei, perguntei, fucei bastante, e assim evitei tudo aquilo que eu sabia que iria fazer mal à Helena, principalmente por respeito a ela, que depende totalmente de mim, e vai depender por muito tempo ainda, pois enxergo o puerpério (os três primeiros meses do recém-nascido) como uma espécie de “quarto trimestre da gravidez”: você ainda está no processo de conhecer seu bebê e vice-versa. Claro que enfiei o pé na jaca em algumas coisas, queria ter cuidado bem mais da alimentação, por exemplo. Também não consegui fazer uma atividade física com regularidade. Ficou inviável por absoluta falta de tempo, principalmente depois de mudar de casa. Mas de uma maneira geral, acho que os acertos superaram os erros. Por isso, uma amiga da faculdade até brincou comigo uma vez, dizendo pro pessoal que eu era a “grávida exemplar”.
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Mas admito que algumas coisas que a gente lê nesses sites e fóruns de gravidez são bem estranhas, como ler história para os pequenos desde a barriga. Não sou cética, é claro que eles ouvem tudo que a gente fala, eu mesma falo com a Helena, mas ler histórias... Sei lá. Então, procurei realizar outras práticas que eu sabia que fariam bem, como colocar música pra ela escutar. Como o pai da Helena é músico, e conhece um monte de coisa boa, isso não foi nada difícil... Certa vez, fomos assistir ao show de um baterista que meu marido adora, e ela pulou na minha barriga do começo ao fim! Claro que surgiram mil piadinhas, e um amigo dele disse que a Helena vai tocar bateria quando crescer. Mas isso esbarra no desejo do pai, que já resolveu que ela será pianista, mas não de jazz como ele, e sim erudita.
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Quanto a mim, quero mesmo que ela siga o que desejar, o que ela gostar de fazer. Um amigo meu (poeta) diz que o nosso destino é a nossa essência, o que gostamos de fazer. Já outro poeta, esse já eternizado, o Pessoa, fala o oposto, quando diz “Ninguém te dá quem és. Nada te mude. Teu íntimo destino involuntário cumpre alto. Sê teu filho”. Com ideias diferentes, os dois dizem uma coisa comum: obedeça a ti mesmo, tenha personalidade.
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Mas numa coisa concordo com o marido: se o destino dela depender de influências, o que não vai faltar é incentivo pra viver de música. Afinal, com uma mãe que adora música (é algo que sempre me comove), com um pai que faz música, com um avô baixista e outro que toca violão, Helena tem tudo pra ter um ouvido absoluto, como profetiza o pai.

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